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O modelo

A ferramenta dá uma estimativa geométrica de quão bem cada venturi comercial respira pra um motor, calculando a velocidade de pico dos gases no estrangulamento. É uma ferramenta comparativa pra apoiar a escolha do carburador, não uma recomendação validada de gicleagem. Acerte por sua conta e risco.

A velocidade dos gases é o sinal primário

Para qualquer diâmetro comercial em qualquer RPM, a velocidade de pico é:

v = Vt × VE × RPM / (10 × N × π × D²)   (m/s)

Onde:

  • v — velocidade de pico no estrangulamento do venturi (m/s)
  • Vt — cilindrada total (cm³)
  • VE — eficiência volumétrica de pico (0,5 a 1,15)
  • RPM — rotação do motor
  • Ndivisor de pulso, função de cilindros, carburadores, corpos e intervalo entre explosões (ver abaixo)
  • D — diâmetro do venturi (mm)

Dois extremos importam:

  • Muito baixa → combustível atomiza mal, a distribuição da mistura piora.
  • Muito alta → o próprio venturi restringe a vazão e o motor não respira em cima.

Cada linha comercial no gráfico é colorida pela velocidade que ela entrega em cada RPM.

Velocidade-alvo via perfil de aplicação (K)

O perfil de aplicação (original, esportivo, competição — uma constante K por opção) codifica qual velocidade de pico a montagem está mirando. Substituindo a clássica fórmula de dimensionamento via Bernoulli na fórmula de velocidade, todas as variáveis do motor se cancelam e sobra uma relação limpa:

v_target = 100 × P_abs / (π × K²)   (m/s)

Onde P_abs = 1 + turbo (bar). Ou seja, K é, na prática, um seletor de velocidade-alvo:

  • Moto original (K=0,70): ~65 m/s
  • Moto esportiva (K=0,72): ~61 m/s
  • Moto competição (K=0,75): ~57 m/s
  • Carro original (K=0,60): ~88 m/s
  • Carro competição (K=0,70): ~65 m/s

A faixa saudável do gráfico fica centrada na v_target com meia-largura fixa de ±30 m/s. Trocar o perfil de aplicação desloca a faixa e re-pinta o gráfico.

O divisor de pulso

O divisor N converte a demanda total do motor na demanda de pico que um venturi vê:

N = max(venturis, cilindros / concurrent)
concurrent = max(1, 240 / (intervalo_entre_explosões × venturis))

O fator concurrent cuida da sobreposição de pulsos quando múltiplos cilindros dividem um carburador. Se o intervalo entre explosões por venturi é menor que a duração da admissão (~240° de virabrequim), os pulsos se sobrepõem e a demanda efetiva de pico sobe.

Para setups típicos de 1 carburador por cilindro, N = venturis = carburadores × corpos.

O que NÃO é calculado

  • Vazão medida em banco de fluxo. A fórmula usa hipóteses geométricas e de respiração, não coeficientes de descarga.
  • Efeitos transientes (inércia dos gases no coletor, ressonância da admissão).
  • Qualidade da atomização, distribuição da mistura ou AFR.
  • Perdas no corpo do carburador fora do venturi (cutaway, formato da garganta).

Aproximações conhecidas

  • Duração da admissão assumida em ~240° de virabrequim. Comandos reais variam de 200° a 280°.
  • Sobreposição de pulsos modelada com escala linear simples — pulsos sobrepostos dividem o carburador proporcionalmente à sobreposição. Motores reais têm ondas de pressão mais complexas.
  • Intervalo entre explosões é um campo manual, com padrão de 180° (explosão uniforme de um 4 cilindros). Ele não deriva do número de cilindros: para outras contagens de cilindros ou motores de explosão desigual (twins 270°, V8 cross-plane), ajuste o intervalo manualmente.
  • VE é o valor de pico (slider único). O gráfico avalia velocidade neste pico; motores reais veem VE menor fora da rotação de pico.

Fontes

Os presets de K vêm da literatura comum de carburação: David Vizard, Graham Bell, guias oficiais da Dellorto. Tamanhos reais de carburador usados pra validar o modelo (Honda CG 125, VW Fusca, Ford Maverick V8, Harley-Davidson Evo 1340, entre outros) vêm de manuais de serviço dos fabricantes e referências de competição.

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